13 Maio 2012

Dia das Mães

Doeu demais!
O dia de hoje sem você...
Sua cama pareceu mais vazia,
a boneca mais imóvel, a bola mais esquecida.
A casa esteve mais silenciosa do teu riso,
do som da tua voz.
Doeu demais hoje...
Imaginar como estará teu rosto
depois de tanto tempo
A ausência do teu amor
do teu beijo, do teu presente
Doeu demais hoje
Não sentir o teu abraço,
o teu cheiro.
Doeu demais imaginar
Que talvez jamais ouvirei tu me chamar de
Mãe!

11 Maio 2012

Anderson Di Rizzi bate recorde em nosso blog

O texto de Anderson Di Rizzi sobre a dor bateu recorde de visitação em nosso blog. Foram 224 entradas em dois dias. Talvez as palavras tenham atraído as pessoas pelo mesmo motivo que atraiu a mim. No texto o ator demonstra – de forma muito singela - que aceitou o convite da dor, mergulhou nela e encontrou um sentido no sofrimento. Como fez outra artista, a Frida Kahlo, ao transformar sua dor em arte. Estou lendo o livro Como Deus Cura a Dor, de Mark W. Baker. Formado em psicologia e teologia, o autor sugere, em suas páginas, uma nova forma de enfrentar o sofrimento. Que procuremos entender a dor quando ela nos visita e a enfrentemos, ao invés de buscar mecanismos de escape. Diz um trecho do livro em que o Dr. Baker fala justamente sobre a dor: “Uma parte da vida de Jesus é representada por seu sofrimento e morte. Ele não tentou evitá-los, como a maioria de nós faria, mas os acolheu como um aspecto necessário de sua existência. Segundo Jesus, existe uma relação entre sofrimento e amor. Enfrentar o sofrimento com coragem desenvolve uma capacidade maior de amar e de levar uma vida feliz e cheia de significado. A felicidade não exclui o sofrimento, o que é bom, porque o sofrimento é inevitável. A felicidade depende da maneira como vamos sofrer. Foi isso que Jesus ressaltou em sua própria vida. Evitar o sofrimento não nos leva a uma vida mais feliz, mas a forma de enfrentá-lo conduz a uma vida mais significativa.” A vida inteira questionei o que teria motivado Deus a permitir o sofrimento de Jesus na cruz. Como também me questiono o motivo Dele permitir que mães tão amorosas como as que convivo sofram a dor do desaparecimento dos filhos. Quando meu falecido pai foi acometido de uma doença neurológica, que ao longo dos anos foi lhe roubando a consciência e os movimentos, tantas vezes questionei o motivo de Deus permitir tamanho sofrimento a uma pessoa boa como ele. Certa vez levei esse questionamento a um professor de educação religiosa que me respondeu: “Mais importante do que você entender é ajudá-lo a carregar sua cruz!” A dor toda hora nos visita. Se a enfrentarmos iremos aos poucos aprendendo o que Anderson disse em seu texto, “que com a benção de Deus, o autoconhecimento trará uma vida mais feliz.”

Por Wal Ribeiro
wal.ferrao@portalkids.org.br

09 Maio 2012

A Dor, por Anderson Di Rizzi

Entrevistei o ator Anderson Di Rizzi no auge de seu sucesso como o guardinha Xavier da novela Morde & Assopra, na Globo. Depois fiz outra matéria com ele, quando recolheu na estrada uma cadelinha ferida, cuidou dela e a adotou. Nos tornamos amigos em rede social. Ontem, Anderson publicou em seu perfil um texto sobre a dor que achei muito oportuno e perguntei se poderia postá-lo aqui no blog, pois em nosso trabalho convivemos diariamente com a dor e aprendemos a superá-la. Anderson não só autorizou, como disse que seria uma honra. Segue então o texto do Anderson:

“Você é o maior responsável pela sua dor. Cabe a você, somente a você e não ao outro, compreendê-la. Busque sabedoria, cuide do seu espírito e do seu corpo! A partir daí, com a benção de Deus, o autoconhecimento lhe trará uma vida mais feliz. E a dor, até então enorme como uma montanha inabitada, solitária e escura, se tornará a sua casa. Um lugar onde você conhece e gosta, cheio de flores, árvores e pássaros. Terão cavernas e trilhas que lhe causarão medo, muito medo. Mas você irá percorrê-las, e perceberá que o medo foi você quem criou! Permita-se mais, ame-se mais.”

Anderson Di Rizzi

A foto é uma reprodução da tela Árvore da Esperança, de Frida Kahlo, de 1946, onde a pintora mexicana, que sofreu um acidente de bonde aos 18 anos,retratou a esperança de um dia ver-se livre do sofrimento que as sequelas causaram.

02 Abril 2012

Apoie o Projeto de Lei de Sandra Germano


Banner colocado na escadaria da Sé no último dia 31 de março, data em que as Mães da Sé completaram 16 anos de luta pelas crianças desaparecidas brasileiras. Apoie o Projeto de Lei de Sandra Germano, que é uma luta de todos nós familiares que enfrentam o drama do desaparecimento de pessoas no Brasil.

29 Março 2012

Audiência Pública em Florianópolis

O Fracasso


Hoje li uma declaração do antropólogo Darcy Ribeiro que me deu alento:

“Fracassei em tudo o que tentei na vida.Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"

A sensação de fracasso na causa da luta pelas crianças desaparecidas é nossa eterna companheira. Fracasso pelas crianças que não conseguimos resgatar, pela dor de suas famílias que não conseguimos aplacar, pelas autoridades que não conseguimos sensibilizar, pelos agressores impunes, por todas as injustiças cometidas contra as crianças. Mas, ao ler os pensamentos acima me dei conta que fracasso mesmo seria estarmos no lugar de quem nos venceu.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

Na foto, reprodução da tela de Vincent Van Gogh, nascido na Holanda em 1853. Em vida vida o artista passou fome e frio, viveu em barracos, conheceu a miséria e vendeu apenas uma pintura. Mas em maio de 1990, uma de suas mais conhecidas obras, "O Retrato de Dr. Gachet", pintado 100 anos antes, mas precisamente em 1890, o ano de sua morte, foi comercializado por US$ 82,5 milhões.

16 Março 2012

Mãe reencontrará filho na novela Amor Eterno Amor


Está prevista para a próxima sexta, 23 de março, a cena do tão esperado reeencontro entre Verbena (Ana Lúcia Torre) e seu filho desaparecido Carlos (Gabriel Braga Nunes) em Amor Eterno Amor. A novela de Elizabeth Jhin da Rede Globo está abordando a temática do desaparecimento. Mãe e filho se reveem no mesmo local em que se despediram no dia em que ele desapareceu. Ao fitar a mãe, algumas vagas lembranças voltam à memória de Carlos. Mesmo constrangido, ele troca um emocionado abraço com Verbena.

No Mães do Brasil já acompanhamos diversos reencontros semelhantes. É um momento de muita emoção, mas cercado de tensão. Grande maioria das crianças que localizamos estavam há muito tempo longe de casa, algumas delas não sabiam ou não lembravam que tinham mãe. O filho nunca volta o mesmo, o que para a mãe é uma situação difícil de lidar. A adaptação é complicada, não é um conto de fadas. Mas o amor trata de acalmar os ânimos e a vida vai se refazendo.


Crédito da foto: TV GLOBO / Alex Carvalho

12 Março 2012

16 anos das Mães da Sé


Nossas amigas Mães da Sé estão completando 16 anos de existência. Parabéns pela determinação, pela a luta, pelo amparo as mães dos desaparecidos e por todas as crianças que ajudaram a resgatar.

Participe em São Paulo do Ato Público que marcará a data. Apoie a luta pela criança desaparecida.

Apoio: Loja da Vitalogy