22 Maio 2008

Opine no Blog do Bom dia Rio

Opine no Blog do Bom Dia Rio!

Em seu blog na Internet o Bom Dia Rio (www.globo.com/bomdiario está abrindo a seguinte discussão: "Na sua opinião, que medidas poderiam ajudar na localização das crianças?" Leia a reportagem realizada com a gente no post abaixo e opine no Blog do Bom Dia Rio e também em nosso blog. Sua opinião é importante para nós.

Matéria Bom Dia Rio 21 de maio

Mães pedem ajuda de Beltrame para solucionar desaparecimento de filhos

Nesta terça-feira (20), um grupo de mães esteve na Secretaria de Segurança para pedir agilidade nas investigações, a criação de uma delegacia especializada e a realização de um censo sobre as vítimas.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, se reúne, nesta quarta-feira (21), com delegados responsáveis pelas investigações sobre crianças desaparecidas. Um dos assuntos em pauta é a demora na solução de alguns casos.

Unidas pela dor e cansadas de esperar elas decidiram investigar por conta própria o desaparecimento das filhas. Descobriam que as meninas tinham sido seqüestradas e localizaram o suspeito, que foi preso, mas liberado cinco dias depois.

“Já dura um ano e seis meses e a agonia é muito grande, porque a gente não vê nada acontecendo. Somos cidadãos, queremos respeito”, reclamou Silvânia Souza, mãe de Larissa.

A Polícia Civil tem um serviço de descoberta de paradeiros, que recebe, por ano, cerca de mil registros. Metade dos casos é resolvida. Mas as mães querem mais. “Isso não pode continuar. Estão sumindo mais e mais crianças. Já luto há 5 anos e 5 meses atrás da minha filha. E creio eu que vou encontrá-la”, disse Elizabeth Martins, mãe de Thaís.

Desde que foi criada, há 12 anos, a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) do governo do estado, registrou 2.695 desaparecimentos; 8%seriam seqüestros. A maior parte, fuga por causa de violência doméstica.

Enquanto mães procuram os filhos, muitas crianças também esperam pelo reencontro com a família. Segundo a FIA, são quase 200 em todo o estado. Valmir Oliveira da Costa, de 12 anos, não vê o pai desde os 6 anos. “Ele falou que ia viajar e que depois ele ia voltar. Ficamos esperando, mas ele nunca mais voltou”, contou ele.

Rafael foi encontrado há 8 meses em um trem que saiu de Japeri, na Baixada Fluminense. Hoje, vive em um abrigo em Barra do Piraí, sonhando com o dia em que vai rever a mãe. “Eu quero dizer que eu amo ela”, disse o menino.

Além das mulheres mostradas na reportagem, uma outra mãe de desaparecido também esteve na reunião com o secretário de segurança. É a Wal Ferrão, presidente da ONG Mães do Brasil, que conversou sobre o assunto com o Bom Dia Rio.

Bom Dia Rio – Vocês acreditam que realmente o que foi pedido vai ajudar na agilidade das investigações?

Wal Ferrão – Acreditamos. E o que nos deu essa prova foi o olhar do secretário. Ele não nos recebeu apenas como uma autoridade, mas como pai. Pela primeira vez, as mães se sentiram acalentadas pelo tratamento que ele deu e também foi muito prático. Imediatamente ele atendeu uma reivindicação nossa, que é transferir o caso das 14 meninas seqüestradas para a DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), que, no momento, é a que está mais apta a resolver um caso tão complexo como o nosso.

De que forma a criação dessa delegacia especializada e dessa pesquisa que vocês desejam pode ajudar?

A delegacia especializada vai capacitar melhor os policiais, isso é uma reivindicação antiga das Mães do Brasil. Agora, estamos propondo um censo, porque, em 10 anos de trabalho, na nossa instituição, não temos um caso de mãe que maltrata o filho e por isso ele foge de casa. Nós contestamos essa informação, por isso nós queremos um senso para levantar o perfil, porque o que nós temos em nossa ONG são mães totalmente devastadas pelos filhos que desaparecem sem deixar pistas.

Quem também conversou com o Bom Dia Rio foi o Luiz Henrique Oliveira, gerente do Programa SOS Criança Desaparecida da FIA.

Bom Dia Rio - Enquanto isso, as ações da FIA continuam dando resultado?

Luiz Henrique Oliveira – Graças a grande rede de parceiros, a FIA tem solucionado 84%dos casos, 2.275 nos últimos 12 anos. E o perfil que a gente tem é a violência intrafamiliar, 75% das crianças fogem de casa em razão da violência física e psicológica. A FIA tem todo um prazer em reencontrar essas crianças graças a grande rede de parceiros: meio de comunicação, Polícia Civil do nosso estado, todos.

São dois programas, o SOS Criança Desaparecida e o Procuro Minha Família?

É, o Procuro Minha Família também são crianças que foram abandonadas, perderam o referencial familiar e a FIA tem todas as ações de reencontro, reaproximando os filhos e os lares, essa é a intenção da FIA.

Matéria publicada no RJTV 20 de maio

Mães querem mais ação da polícia nos casos de desaparecidos
Elas reivindicam mais rigor da Secretaria de Segurança Pública nas investigações.


A demora na solução para casos de desaparecimentos levou um grupo de mães até a Secretaria de Segurança Pública do Rio. Elas reivindicam mais rigor nas investigações.

Unidas pela dor e cansadas de esperar, mães decidiram investigar por conta própria o desaparecimento das filhas. Descobriram que as meninas tinham sido seqüestradas e localizaram o suspeito, que foi preso, mas liberado cinco dias depois. “Já vai fazer um ano e seis meses. A agonia é muito grande, porque a gente não vê nada acontecendo”, critica Silvania Maria de Souza, mãe de Larissa.

A Polícia Civil tem um serviço de descoberta de paradeiros, que recebe por ano cerca de mil registros. Metade dos casos é resolvida. Mas as mães querem mais, e na tarde desta terça-feira se reuniram com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.

No encontro, elas pediram a criação de uma delegacia especializada em casos de seqüestros de crianças sem pedido de resgate. Além disso, querem que seja feita uma pesquisa mostrando o perfil das vítimas e das famílias para, a partir daí, melhorar as investigações.

“Entramos em comunidades, buscamos testemunhas, descobrimos todos os indícios e entregamos à polícia. Agora a queremos ver a polícia dar continuidade ao trabalho que fizemos”, diz a presidente da ONG Mães do Brasil, Wal Ferrão.

“Eu acredito que essas crianças estão sendo desviadas para fora, para prostituição. Já faz cinco anos e cinco meses que minha filha desapareceu”, conta Elizabeth Barros, mãe da Thais.

Desde que foi criada, há 12 anos, a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), do governo do estado, registrou 2.695 desaparecimentos, dos quais 8% seriam seqüestros. A maior parte, fuga por causa de violência doméstica.

Enquanto mães procuram os filhos, muitas crianças também esperam pelo reencontro com a família. Segundo a FIA, são quase 200 em todo o estado. Walmir Oliveira da Costa, de 12 anos, não vê o pai desde os 6. “Ele falou que ia viajar e que depois ia voltar. Ficamos esperando, e ele nunca mais voltou”, conta.

Rafael foi encontrado há 8 meses em um trem que saiu de Japeri, na Baixada Fluminense. Hoje vive em um abrigo em Barra do Piraí, sonhando com o dia em que vai rever a mãe. “Eu quero dizer que eu a amo”, diz o menino.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que recebeu as reivindicações das mães de crianças desaparecidas e que vai se reunir nesta quarta-feira com os delegados responsáveis.

17 Maio 2008

Matéria publicada no JB - Caderno Cidade

Parceria para evitar o seqüestro de crianças

Empresa vai afixar 200 cartazes em ônibus do Rio

Júlia Moura

Do JB Online

Começa na próxima semana uma ação para tentar achar o paradeiro de crianças e adolescentes desaparecidas. A Organização Não-Governamental Portal Kids realiza o projeto "Não deixe que essa história se repita", que irá afixar em ônibus da Empresa Rio Ita Ltda. cerca de 200 cartazes com a foto de crianças desaparecidas, contando como foi o seqüestro com o objetivo de alertar a população. Além disso, o cartaz terá uma dica de prevenção.

Paralelo a isso, a organização irá se reunir com o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, para cobrar providências em relação ao dossiê entregue em fevereiro sobre o desaparecimento de 14 crianças e adolescentes. De acordo com a presidente da ONG, Wal Ribeiro, a troca constante de delegados responsáveis pela apuração do dossiê vem prejudicando o andamento das investigações.

O dossiê, de acordo com Wal, foi entregue ao secretário, resultado de investigações realizadas pela ONG durante quatro anos.

- Na época em que entregamos o dossiê, o secretário Beltrame prometeu às mães das crianças desaparecidas botar uma delegada para acompanhar o caso. Na semana passada quando liguei para saber sobre as investigações, eu descobri que ela havia sido transferida - disse a presidente do Portal Kids.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública, houve um primeiro contato entre representantes do Portal Kids e a reunião ainda será marcada.

Primeiros passos

A investigação do Portal Kids junto à polícia, levou a prisão de Fernando Martinho de Melo, no dia 7 de fevereiro, como suspeito de raptar várias crianças, entre elas Larissa Gonçales Santos, que desapareceu em 3 de janeiro último, na Favela Barreira do Vasco, em São Cristóvão. Além de Larissa, Fernado também é apontado como suspeito de participar do desaparecimento de Thais de Lima Barros, 9 anos, ocorrido em 22 de dezembro de 2002.

Cinco dias após a prisão, Fernando foi solto pois tinha um álibi. Segundo a presidente da ONG, Fernando teria sido reconhecido, no caso de Larissa por oito testemunhas do seqüestro. A partir daí, as investigações pouco caminharam e o suspeito continua solto, de acordo com Wal.

Na próxima segunda-feira, representantes da ONG vão se reunir com o delegado Deoclécio de Assis, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que teria se interessado em dar continuidade às investigações. Segundo o Portal Kids, uma promotora também teria se interessado no caso.


- Nós queremos uma mudança na política de atendimento a casos de seqüestro sem pedido de resgate. Um dos nossos objetivos é revelar esse universo meio absorvido pela idéia que as crianças fogem por maus tratos. Isso não é verdade. Essa é nossa grande luta - finaliza Wal.

"Acalanto" para Adriana

Pai, canta o "Acalanto" para Adriana Simões, que com apenas quatro aninhos, no dia das Mães, dormiu o sono da vida na Terra. Nós, que neste dia também passamos sem nossos filhos, pedimos que Adriana acorde para a vida eterna ouvindo, pela Tua voz, esta cantiga de ninar, Senhor. E que esse acalanto chegue a sua mãe aqui na Terra.

"Lá no céu
Deixam de cantar
Os anjinhos
Foram se deitar
Mamãezinha
Precisa descansar
Dorme, anjo
Papai vai lhe ninar..."

16 Maio 2008

Matéria publicada no RJTV da TV Globo

Difícil busca pelos filhos desaparecidos

A polícia ainda não tem pistas da menina Adriana, que desapareceu em pleno Dia das Mães. Conheça o trabalho de instituições que têm como objetivo ajudar as famílias das crianças desaparecidas.

A sede da organização não-governamental Mães do Brasil fica em uma sala no bairro do Pechincha, na Zona Oeste. Em um pequeno espaço, mães de crianças desaparecidas fazem grandes avanços.

Desde que Larissa, de 11 anos, foi seqüestrada, quatro meses atrás, Raquel da Silva recebe apoio psicológico e jurídico. A mãe da menina vive momentos difíceis, mas diz que com a ajuda dos especialistas ainda tem esperanças de encontrar a filha.

“Quando acontece um caso desses, ficamos sem chão. Aqui há outras mães que já passaram por isso ou que estão passando por isso e é o abraço, o carinho de outras pessoas que sentem a mesma dor que conforta a gente”, diz ela.

Nessa quinta-feira, no RJTV, mostramos o caso de Adriana Simões, de 4 anos. A criança desapareceu no último domingo, em Guaratiba. Até agora não há pistas do paradeiro da menina.

A família procurou ajuda da Fundação para Infância e Adolescência. A FIA recebe cerca de 30ligações por dia, com informações sobre as crianças e conta com uma rede de instituições que ajudam nas buscas.

O RJTV conversou com o delegado Roberto Cardoso, titular da Delegacia de Homicídios.
RJTV: Quanto tempo os pais têm que esperar para fazer o registro na polícia no caso da criança desaparecida?

Delegado Roberto Cardoso: Existe uma lenda que foi difundida equivocadamente de que a família necessita de 48 horas para procurar a polícia. Isso é um engano e, ao contrário, não se deve esperar essas 48 horas, porque essa perda de tempo pode significar o insucesso da investigação. Quanto mais rápido a polícia for procurada, maiores são as chances de sucesso de encontrar a pessoa desaparecida.

O caso primeiro vai para a delegacia da área e depois é encaminhado para a delegacia de homicídios. Como é feita essa investigação?

Existe uma determinação do chefe de polícia para que toda e qualquer delegacia faça esse registro. As pessoas devem procurar primeiro a delegacia da área, que terá 15 dias para investigar o caso. Dentro desses 15 dias, se eles não conseguirem sucesso, eles remetem para a delegacia de homicídios, onde o setor de desaparecimento de pessoas vai atuar e vai encontrar essa pessoa desaparecida.

Alguma novidade do caso Adriana?

O caso da Adriana está sendo investigado pela 43ª DP e acreditamos que teremos um desfecho feliz nesse caso.


Segundo os dados da fundação, 115 crianças e adolescentes estão desaparecidos hoje no estado. A boa notícia é que em 84% dos casos elas são encontradas. Em 12 anos, a FIA registrou 2.695 casos: a maioria, 76%, é de fuga, por causa da violência familiar; 10% são de crianças perdidas; e apenas 8% são seqüestros.

“A Polícia Civil é um parceiro diário. É claro que ainda temos algumas resistências, inclusive quanto à lei 11.259, que garante o registro imediato. Ainda temos uma cultura de esperar um pouco”, afirma Luis Henrique Oliveira, da FIA.

Na ONG Mães do Brasil, que existe há nove anos, já são mais de mil casos. Alguns, com final feliz. Até pouco tempo, a foto de Cristiano Sales Reis, de 12 anos, estava no cartaz das crianças desaparecidas da ONG. Ele apareceu há três meses e a mãe dele, Dona Socorro, voltou a sorrir.

“Foi muito sofrimento, andei muito, mas eu consegui”, comemora ela.

Famílias que passam por uma situação como esta, com crianças desaparecidas, também podem procurar ajuda na Fundação para a Infância e Adolescência. No Rio, o telefone é o 2286-8337.

11 Maio 2008

Carta aberta ao Secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame

Exmo. Sr. Secretário de Segurança do Rio de Janeiro
Dr. José Mariano Beltrame


No dia em que minha sobrinha Larissa que eu criava como filha desde que minha irmã adoeceu e veio a falecer completou 12 anos realizei junto com as Mães do Brasil, um culto ecumênico na Cinelândia, Centro do Rio, que acabou se transformando numa manifestação. Fomos caminhando até a Secretaria de Segurança levar a Vossa Excelência um dossiê que o Portal Kids realizou sobre as investigações de outras meninas que foram seqüestradas como minha sobrinha. Até esse seqüestrador entrar em minha casa e levar minha sobrinha, não imaginava que coisas como essas acontecessem. Eu ouvia os noticiários sobre casos semelhantes, mas não imaginava que fosse acontecer comigo. Naquele dia em que fui a Secretaria de Segurança eu vivia um pesadelo porque tínhamos planejado, eu e minha família, comemorar o aniversário da Larissa num clube. Seria sua primeira grande festa. Mas fui com esperanças porque as informações contidas na investigação eram muitas e nunca, até Larissa ser seqüestrada, haviam conseguido prender este homem, suspeito de seqüestrar as meninas. Como oito testemunhas o reconheceram como o seqüestrador de Larissa, inclusive o taxista que a levou e ao seqüestrador do bairro onde moramos até o centro do Rio, tinha certeza que dessa vez seria diferente. Mesmo não tendo sido recebida por Vossa Excelência, me senti com esperanças. Senti confiança na delegada Elizabeth, que nos recebeu. Ela se emocionou com a minha dor, que naquele dia era muita. O que eu não sabia naquele momento é que a cada dia a dor fica pior. Naquele dia, planejamos escrever uma carta a Vossa Excelência para entregar no dia das mães se nossa ida a Secretaria de Segurança não adiantasse. “Não, vai dar certo, esse caso será resolvido antes de maio”, eu dizia as outras mães, que me olhavam com olhos sem esperança. Elas estão há tanto tempo nessa luta. Eu, três meses depois do seqüestro de minha sobrinha, ainda não tenho esse olhar e por isso escrevo para pedir: olhe realmente por essa investigação. São três meses de silêncio, ninguém nos diz mais nada. Quando vamos a delegacia procurar eles nos dizem para ter paciência, que é assim mesmo, que estão trabalhando. Vem na ponta da língua uma pergunta que agora vou fazer: Como agiriam os que me dizem isso se fosse a filha deles a estar no lugar de minha Larissa? Aqui relato um pouco do que é ter um filho seqüestrado. Ao amanhecer levanto e peço a Deus que me dê forças que esse pesadelo acabe o mais rápido possível, mas as horas vão passando, a aflição aumentando, o medo e a tristeza caminham lado a lado. A hora do almoço chega junto com as lágrimas. Penso se Larissa estará se alimentando. As horas continuam passando e me pego olhando para o telefone, imaginando que ele possa tocar a qualquer momento. A dor de ter o telefone calado me destrói aos poucos, quando me vejo já estou aos prantos. É mais uma noite que chega sem a minha Larissa. Olho para o quarto dela, vejo as bonecas e sinto um aperto no meu coração que dói tanto, principalmente porque me sinto de pés e mãos atadas. Imagino se tivesse mais dinheiro, não estaria passando por isso. Costuma se dar atenção à dor de quem tem mais dinheiro. Será que acham que porque somos pobres sofremos menos? A dor é igual, ainda maior, porque não podemos contratar um investigador, um advogado. O que me revolta é saber que pago os meus impostos para ter segurança e quando preciso de segurança, cadê ela? Mas ao contrário das outras mães, que também são vítimas desse seqüestrador, eu não posso acreditar que estejamos assim tão desamparadas. Peço para que Vossa Excelência pare e pense no tamanho do meu sofrimento e no das outras mães, mas principalmente pense no sofrimento dessas crianças que estão longe de nós, que não nos tem mais ao seu lado para protegê-las. Faça o máximo que tiver ao seu alcance para nos ajudar e ajudar a nossas filhas. Nos receba, Sr. Secretário e olhe dentro de nossos olhos. Ali Vossa Excelência encontrará a nossa dor. Tenho certeza que se Vossa Excelência olhar dentro de nossos olhos não ficará indiferente a nossa verdade. Venha nos encontrar em nossa ONG. Será muito bem recebido. Eu ainda acredito que algo possa ser feito.

Raquel, a tia-mãe de Larissa Santos

Minha filha Larissa, de nove anos, foi seqüestrada de dentro de casa no dia 14/03/2007 por um homem que levou também aparelhos domésticos. Naquele dia ela não teve aula. Até hoje não sei como este homem tirou minha filha de casa e a convenceu a acompanha-lo. Se Vossa Excelência conhecesse minha casa, minha família, a maneira como vivemos, também acharia espantoso. Quando o suspeito do seqüestro de outra menininha, outra Larissa, foi preso, a testemunha que viu minha filha em companhia do seqüestrador o reconheceu. Corri para a delegacia, onde conheci as Mães do Brasil. Fiquei estarrecida em descobrir que este homem é investigado pelo Portal Kids há tanto tempo e as autoridades nada fizeram. Se nossas filhas não fossem pobres isso não aconteceria. Não saber o paradeiro de uma filha nos tira a força de sobreviver. Desde que Larissa desapareceu meu tempo é preenchido com lágrimas, desespero e sofrimento. Perdi a paz, perdi meu chão, perdi a minha filha. Vivo de delegacia em delegacia e já escutei cada coisa que Vossa Excelência não pode imaginar. A impressão que tenho é que o caso de Larissa não passa de anotações que fazem no papel e depois que me retiro, são jogadas na gaveta. Não sei mais o que fazer, a quem apelar. Gostaria que Vossa Excelência desse conclusão a este caso. Acredito na sua humanidade e que acolherá com carinho o nosso pedido.

Silvana, mãe de Larissa Andrade


Minha amada filha Thaís, de nove anos, foi seqüestrada no dia 22/12/2002, véspera de Natal, no momento em que eu estava no shopping comprando o presente dela. Minha filha ficou em companhia de minha irmã, na barraca que ela tinha numa feira livre em Vila Kennedy. Ela foi com um primo comprar sorvetes em outra barraquinha, quando foi levada por este homem, que para nós era desconhecido. Quando cheguei em casa e tomei conhecimento que minha filha havia sumido não acreditei. Era muita loucura! Mergulhei num pesadelo, fui a duas delegacias até conseguir registrar, procurei eu mesma minha filha, participei de reportagens, manifestações, tudo em vão.
Eu, meu marido e meu filho, então com oito anos, passamos o pior Natal de nossas vidas. Tínhamos amigos, parentes, todos vivendo um sentimento múltiplo de angústia, ansiedade, dor, medo, saudades... Eu, meu marido e meu filho tivemos que fazer tratamento psicológico para conseguir sobreviver, tivemos que tomar remédios, meu filho até a escola detestava; passamos por tantos sofrimentos que só quem passa sabe do que falo. Não dormíamos... Até hoje não sei o que é um sono perfeito. Não há uma noite em que eu não pense onde estará minha filha? O que estará passando? O que pode ter acontecido com meu “bebezão” como eu a chamava? Em pensar que minha filha pode ter ficado enjaulada como se fosse um bicho para ser levada para outro estado ou país, como geralmente são levadas as vítimas do tráfico internacional, meu coração se dilacera. Acho que nem Vossa Excelência pode imaginar o que sinto quando constato que as amiguinhas dela já estão mocinhas... Fico fantasiando como estará o meu “bebezão”? Agora com 14 anos deve esta maior que eu, pois sempre foi grandona... Não consigo deixar de imaginar se minha menina foi violentada? E se em conseqüência disso pode até ter se tornado mãe? Se pode ter contraído alguma doença? Esse sofrimento que eu e muitas mães passam, mães que tiveram suas filhas seqüestradas. O termo desaparecidos não se encaixa em nosso caso. O que desapareceu foi o direito de nossas crianças de ter vida. O direito só tem favorecido a esses monstros que entram em nossas vidas e acabam com nossa felicidade, nossa alegria, nosso amor. Eles destroem nossas famílias e fica tudo por isso mesmo. Somos cidadãs e queremos respeito, queremos cobrar nossos direitos, os direitos dos nossos filhos. Tem hora que sinto vergonha de ser carioca porque trabalhamos para dar uma vida melhor para nossos filhos, pagamos nossos impostos, somos honestas enquanto esses monstros se divertem pegando nossas crianças indefesas. Alguém precisa dar um basta nisso.

Precisamos de uma atitude de Vossa Excelência, autoridade máxima em segurança do Rio de Janeiro. Queremos nossos filhos, não da mais para esperar... O Portal Kids investigou até onde podia. Agora precisamos da ação de uma polícia capacitada. Precisamos de investigação de qualidade. Nas delegacias contatamos que são poucos policiais para tantos casos, poucos recursos, falta de estrutura. E isso fica sendo mais um descaso e um caso comum na mão deles. Nossas filhas se transformam em dados estatísticos. Estou farta de ver o seqüestro de nossas filhas ficando sempre em último lugar para se resolver. Quero mais empenho. Enquanto essa situação não se resolve minha filha pode estar sendo usada na prostituição infantil. Foi feito o reconhecimento de um individuo e ficou por isso mesmo, ninguém dá prosseguimento a investigação. Pergunto a Vossa Excelência: por que?

Quero Justiça, quero saber da minha filha, quero que esse monstro que pegou minha princesa seja preso, investigado, quero ver polícia trabalhando e mostrando que podemos contar com ela. Quero meu direito e o direito de minha filha.
Até hoje olho para o portão de minha casa e penso no dia em que verei minha filha retornar? Sonho todos os dias com isso, vivo para isso, oro e acredito que vou encontrá-la. Creio em Deus por isso. O dia em que deixar de crer, não poderei mais viver. O que move minha vida é a luta para reencontrar minha filha. Pelo que tenho visto Vossa Excelência é um homem sério, que leva seu trabalho com amor, dedicação e deve ter filhos. Pense, tente se colocar no meu lugar e no das outras mães dependendo de sua ação como autoridade. Como se sentiria? Como agiria? Peço a Vossa Excelência que nos ajude porque não suportamos mais.


Elisabete, mãe a Thaís de Lima Barros



No último dia 05 de maio liguei para a Secretaria de Segurança para agendar um encontro com a delegada que ficou responsável pelo acompanhamento do caso das meninas seqüestradas, investigação que vem sendo realizada pelo Portal Kids desde 2001. Fui informada que a delegada em questão não trabalhava mais na secretaria. A pessoa que me atendeu não tinha conhecimento do caso das meninas e perguntou em que pé estavam as investigações. Quando respondi que estava ligando justamente em busca dessa informação, prometeu averiguar e entrar em contato. Até o fechamento da semana, dia 09 de janeiro, ninguém da Secretaria de Segurança se comunicou. O desejo das mães das meninas era entregar uma carta ao Secretário, tentar tocar seu coração. Inclusive expliquei sobre a carta a atendente. Resolvemos então publicar uma carta aberta neste espaço, como em 2005 fizemos publicando uma carta aberta ao Presidente Luís Inácio Lula da Silva. A sensação que temos é que falamos de outra dimensão. Que somos fantasmas humanos. As pessoas não nos ouvem, não tomam atitude, como se não pertencêssemos ao mesmo universo, não vivêssemos no mesmo espaço.

Desde 2001 já apelamos para diversos órgãos: delegacias especializadas (todas do Rio de Janeiro), Secretaria de Segurança, Secretaria de Direitos Humanos em Brasília, Polícia Federal, Presidência da República. Em 2004, com quatro casos e muitos indícios, o Portal Kids iniciou uma investigação por conta própria. Começamos por investigar as famílias das pequenas vítimas e os policiais que trabalharam nas investigações e que acabaram todos transferidos. Buscamos fatos e testemunhas. Encomendamos pesquisas a cientistas sociais, sempre embasando as nossas descobertas. Outras vítimas e evidências foram surgindo. Até que em 2005 conseguimos reunir os casos numa investigação conjunta que ficou sob a responsabilidade da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV). O então delegado Leonardo Tumiati e sua equipe de policiais realizou em seis meses o que em quatro anos não se conseguiu realizar. No auge da investigação, quando tudo se encaminhava para a solução do caso, falávamos até de criar uma delegacia especializada quando ele foi transferido pela então chefia de Polícia do Rio de Janeiro. Mais duas meninas foram seqüestradas em 2006. Em uma delas conseguimos testemunhas que reconheceram um suspeito pelo seqüestro de duas meninas: Michele Santana de Araújo, 09 anos, em 21/11/2002 e Thais de Lima Barros, em 22/12/2002, como o responsável pelo seqüestro de Andréia Ferreira da Mota, 12 anos, seqüestrada em 21/01/2006. Uma nova tentativa de reconhecimento do suspeito por trás do vidro acabou não acontecendo devido à transferência de policiais que cuidavam do caso pela Delegacia de Homicídios da Zona Oeste. Em 30/01/2008 ocorreu o seqüestro de Larissa Gonçalves Santos. Quando recebemos da família o retrato falado do suspeito, imediatamente o identifiquei como o seqüestrador das outras meninas e enviei todos os dados sobre ele a 17º DP, responsável pelo caso de Larissa. O suspeito foi preso no dia 07 de fevereiro. Recebeu hábeas corpus cinco dias depois apesar de oito testemunhas o terem reconhecido como o seqüestrador de Larissa. Em liberdade foi submetido a dois reconhecimentos em que testemunhas apontaram ser ele o seqüestrador de Michele e Thais. Em março ocorreu uma tentativa frustrada de seqüestro de criança em São Cristovão e a vítima, que conseguiu escapar, reconheceu o suspeito como o autor do atentado. O que mais precisamos fazer para essa investigação se concluir? Por que essa investigação não tem continuidade apesar de todas as evidências? A Delegacia de Homicídios, que ficou responsável pelo caso, nos diz que carece de estrutura. Não é melhor então que o caso seja transferido para a Polícia Federal, já que existe a possibilidade de que essas meninas terem sido levadas para o exterior vítimas do tráfico internacional de pessoas? Estamos dispostas a levar o caso para qualquer delegacia da Polícia Civil que se comprometa a levar a investigação até a sua conclusão e que os policiais não sejam transferidos a toda hora. Chego a pensar e as mães mais do que eu que os policiais são transferidos sempre que chegam muito perto da verdade. Transferências entre policiais são comuns no universo policial. Não está na hora de rever essa questão? Oito policiais foram transferidos deste caso desde que estou nele. Parece-me que o bom policial no Rio de Janeiro é punido por trabalhar bem. Que estimulo tem ele para continuar? Fico imaginando que confuso estaria esse texto se começasse a ser escrito por mim, abandonado no auge, e continuado por vários membros de minha equipe, que seriam substituídos sem mais nem menos. A idéia principal iria se perder. Principalmente se não tivesse alguém supervisionando. Mas não estamos falando de palavras perdidas. Sim de vidas humanas. Estamos falando de meninas que ao contrário de nós, que temos umas as outras não têm ninguém para lhes proteger. A devastação que a ausência delas deixou na vida de suas famílias é enorme, mas nada supera a dimensão do desespero, sofrimento e solidão que essas meninas estão sentindo. Imaginar o que elas sentem corrói suas mães, seus irmãos, pais, parentes e todos aqueles que mesmo não as conhecendo, aprenderam a amá-las. Não dá mais para conviver com isso. Por isso eu, em nome das Mães do Brasil, peço o apoio de toda a sociedade, artistas, políticos, movimentos sociais e principalmente vítimas de violência do Brasil. Exerçam pressão junto conosco e nos ajudem a exigir que esse caso seja concluído. Nosso objetivo principal é mudar a política de atendimento para caso de seqüestros sem pedido de resgate e desaparecimentos enigmáticos (crianças sem conflitos familiares que saem de casa para ir as compras ou a escola e desaparecem sem deixar pistas). Queremos desvincular esses casos dos de crianças desaparecidas que fogem de casa vítimas de maus tratos ou violência doméstica e que são facilmente encontradas com divulgação de fotos realizada pelo governo e a ação do Conselho Tutelar. Queremos a criação de uma delegacia no Rio de Janeiro especializada em seqüestros sem resgate e desaparecimentos enigmáticos. Sem investigação de qualidade através de um setor especializado, esses casos nunca serão solucionados. Precisamos da ajuda de todos. É hora de união.

Wal Ferrão, presidenta do Portal Kids.

17 Abril 2008

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26 Fevereiro 2008

Nova vida para Cristiano


No próximo dia 28 de fevereiro Cristiano Reis Sampaio, primeira criança a ser encontrada pelo projeto Mães do Brasil, que tem o apoio do Criança Esperança, um projeto da TV Globo em parceria com a Unesco, completa 12 anos. Cristiano entra na adolescência como um vitorioso. Desde junho de 2006, tentávamos uma internação para o menino, que sofre de Transtorno Bipolar de Humor e adquiriu contato com as drogas devido a sua permanência nas ruas. Recorremos a todas as instâncias possíveis para conseguir um tratamento especializado para Cristiano, o que era dificultado pela sua pouca idade.

Em janeiro deste ano recorremos ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A promotora Patrícia Pimentel recebeu nosso pedido de internação para tratamento de Cristiano e o encaminhou a Juíza Mônica Labuto, da Justiça de Infância e Juventude de Madureira, zona norte do Rio de Janeiro, que providenciou uma clínica e tratamento especializado. No dia 25 de janeiro o menino foi internado e tem respondido muito bem ao tratamento. Terminou para sua mãe Maria do Socorro Sales Reis, integrante do projeto Mães do Brasil, a luta para conseguir tratamento digno para o filho.

“O dia em que o deixei na clínica voltei com meu coração apertado. Meu sonho era ter meu filho ao meu lado. Saber que ele está respondendo bem ao tratamento me deu um grande alívio. Não é fácil para uma mãe ter que internar seu filho. Hoje entendo que eu e Cristiano demos um passo para uma nova vida. Um dia, quando ele estiver bem, poderemos ficar juntos. Minha luta foi muito grande, mas me sinto recompensada”, emociona-se Socorro.

O Portal Kids continuará acompanhando mãe e filho através do projeto Mães do Brasil. Socorro também integra outro projeto da Instituição, o Culinária para Festa, que tem o apoio da agência internacional DKA-Áustria. Desde o ano passado Socorro trabalha como artesã e faz parte do grupo Mulheres Empreendedoras, que confecciona velas artesanais e decorativas para lojistas e clientes particulares.

15 Fevereiro 2008

Ao lado publicamos a foto de 13, das 14 meninas seqüestradas e desaparecidas cujos casos pertencem a investigação que o Portal Kids realiza desde 2004. Uma das meninas, Amanda do Nascimento Gonçalo, 09 anos, seqüestrada no ano de 2002, teve seu corpo localizado cinco dias depois, num terreno em Manguinhos. Por essa razão a foto dela não está incluída na série ao lado. Qualquer informação sobre essas meninas podem ser enviadas ao e-mail das Mães do Brasil: maesdobrasil@protalkids.org.br ou através do telefone do Portal Kids: (21) 7838 90 56. As informações podem ser anônimas. Manteremos o sigilo preservado da pessoa que quiser se identificar.